quarta-feira, 9 de maio de 2012

Escrivaninha – Porto




 Escrivaninha – Porto

        Por um tempo, perdi o meu porto, por mais que tentar-se, não conseguia encontrá-lo. Naveguei nos mais remotos mares a sua procura, em busca de um descanso em terra firme. Eu só tinha uma certeza, o mapa do porto estava em meu navio. Por dias ordenei aos meus tripulantes que procurassem o tal mapa que insistia manter-se escondido.
        Chegou um tempo em que os tripulantes cansaram, o navio não era grande, era um bom navio, mas sem os cuidados necessários estava em um desgaste externo notável. Por mais que a quantidade de ouro sucumbisse nos porões , não valiam nada em torno da imensidão d’água em nossa volta. A fome, a fraqueza chegava ao convéns, o mar estava contra nós, os peixes sumiram, as gaivotas evaporaram em pleno ar, a desesperança chegava maltratando a tripulação. Mantinha-me forte, ocultava a fome, enchia o estômago de meus tripulantes com a esperança.
       O sol estava mais forte do que nunca, o que restava eram barris e mais barris de Rum. No ultimo barril estava lá o mapa, ensopado , com a embriaguez torceram o mapa para extrair a ultima gota para finalizar nossos últimos segundos de inlucidez. Não lembrei do resto, o meu despertador tocou, um copo de suco de uva derramado sobre a escrivaninha ensopando meu rosto e no fim eu disse :
- Foi tudo um sonho!



M.A.Abreu

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